http://marcomarcon.blogspot.com/2010/04/poker-e-sociedade-2.html
No texto poker e sociedade 1 e 2 dei vários exemplos da dificuldade de ser exclusivamente jogador profissional de poker no Brasil. Deixo claro que para quem tem uma moral mais flexível, tudo que expus é um monte de baboseiras, mas a minha intenção é deixar um legado para outro perfil de leitor, mesmo que seja apenas 1. Aquele que tem uma vida religiosa ativa ou pelo menos pauta sua vida em questões éticas e morais que a sociedade onde convivemos nos cobra, que nossa própria consciência nos cobra, e que esperamos evolua cada vez mais.
Sabendo de tantas dificuldade tentarei responder a pergunta que deixei:
como lidar com isto?...sem abrir mão de ser jogador de poker.
Auto-conhecimento: ser crítico com a própria criação, que contexto familiar eu nasci? qual educação que meus pais me deram? qual educação as escolas onde estudei me deram? a influência dos meios de comunicação que assisto? que leio? as pessoas com quem convivi a vida inteira? qual filosofia de vida me move?
Não esquecer de quem nós somos é essencial, para saber que vida quero ter e que caminho quero seguir, independente do poker fazer parte ou não da nossa vida. Um jogador mais velho me disse; que adorava jogar poker porque numa mesa de poker as pessoas "mostram quem são de verdade". Em parte eu concordo com ele, pois durante os jogos ficamos a flor da pele e expomos o nosso inconsciente, justamente devido a pressão psicológica, as nossas sombras assumem a direção em vários momentos. No que discordo é que vejo muita gente que é bastante religiosa fora do ambiente do poker ou que tem valores muito legais na criação dos filhos, no desenvolvimento de negócios e na vida em sociedade, mas não expressa isto na mesa ou com os colegas no dia a dia de competição. Vi várias vezes durante os jogos pessoas falando que não se deveria falar de Deus ou questões morais mais aprofundadas, pois uma mesa de poker não era lugar para isto e estas mesmas pessoas brincando que o deus do poker não vai gostar ou outras idiotices do gênero. No entanto, me questiono; se não é lugar para isto o que eu estou fazendo ali. Porque se estou num lugar que não posso expor meus melhores valores creio que não é um lugar onde deva estar. Mas continuo porque consigo ser quem sou e conheci muita gente boa neste meio, no entanto após se tornar amigo destes fora do ambiente do poker.
Creio que isto esteja muito errado, se queremos ver o poker se desenvolver como esporte da mente, como foi reconhecido pela Federação internacional de esportes mentais, ganhando o mesmo status do xadrez.http://www.educacaofisica.com.br/noticias_mostrar.asp?id=8716 , devemos modificar esta postura urgentemente.Para ilustrar também sou enxadrista e este jogo é reconhecido por desenvolver habilidades mentais e de em meio a disputas de xadrez rolarem reflexões filósoficas. Gostaria que o poker fosse visto desta forma e não um escape para liberar nossos lados mais obscuros, atraindo desta forma muita gente ruim, justamente porque se sentem a vontade neste ambiente. Fazendo analogia com xadrez, qual conceito que temos de uma pessoa que joga xadrez e quando vemos alguém jogando?será que é próximo ao que temos em relação ao poker? qual o esteriótipo do enxadrista e qual o esteriótipo do jogador de poker? Os jogadores buscarem se conhecer e não esquecer de quem são é um bom começo em favor do poker e de si próprios, como agentes ativos no esporte.
continuo....
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